domingo, 11 de novembro de 2007

Alguma coisa ficou pra trás


Eu não ando achando graça em ninguém. Ando sem paciência pra conversar coisas vazias. Engraçado, todos falam a mesma coisa, na mesma ordem e eu, que não sou nem um pouco paciente, sou curta e grossa.
Dizem que, se continuar assim, vou ficar sozinha pra sempre.Mas não vou sair desesperadamente só pra ter alguém. Não consigo.
E agora não sei mais aonde vou também.Tudo é tão sem graça que perco o entusiasmo antes de me vestir. O problema deve estar comigo. Odeio ficar assim, sem expectativas. Fazer coisas que eu gosto(ou gostava) anda me dando, literalmente, preguiça. Visceral. Tanto que não saio mais pra determinados lugares, prefiro ficar, pelo menos por enquanto, quieta. Ninguém entende. Eu não entendo. Nunca fui assim. Hoje não consigo mais. Perdi a fórmula. Hoje eu passo pelas pessoas e não tenho vontade de conversar com elas. E não é tristeza. Pelo contrário, estou feliz com várias coisas e pessoas.Não sei o que é. Me sinto pequena. Não quero saber se aquele moço bonito tem algo a me dizer. Não dou chance.Quando começa a ficar bacana eu paro, forço, faço algo pra me ferir e terminar. Ponto.Choro.Levanto.Sorrio dissimulada pra mim mesma.Respiro fundo.Esqueço.Finjo.E assim vou indo.Independente.Aço puro.Oca.Sem saber o que eu quero de verdade. Porque é sempre assim:escolhas. E eu já fiz tantas erradas.Tanto caminho torto que eu fiquei zonza e desisti de brincar.


Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Por: Morena

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Meus capítulos

Lembranças passadas, lembranças de hoje, lembranças do que ainda nem aconteceu. Às vezes somos surpreendidos por esses pensamentos. Basta passar por aquela rua em que você fez sua primeira entrevista com aquele alguém de reconhecimento nacional. Ou aquela bala que você ganhou do ciclano e guardou o papel. A música que tocou aquele dia quando você não tinha nada pra fazer e no refrão apenas sentiu a lágrima rolar. O momento em que recebeu a notícia mais importante ou mais triste da sua vida. Aquela chuva, aquele olhar, aquele sorriso, aquele jeito de andar. As pessoas que já foram importantes e insignificantes.
Rever os tempos de escola, de chamar a professora de tia, de pular elástico, jogar queimada. Das maratonas, dos retiros, do "Dia da dança". Dos quatrorze anos vividos diáriamente com pessoas que se tornaram mais do que amigos.
Fotos, retratos, imagens que não escolhemos rever. Flashes de segundos, basta um piscar de olhos, um viver. É aquele enxergar de forma diferente e não apenas olhar como olhamos todos os dias o relógio quando desperta, o computador quando pifa, o ônibus quando não pára.
Páginas viradas, muitas delas já rasgadas e perdidas. A vida não tem catálogo de momentos. Não se escolhe as lembranças como se escolhe a música que vai tocar no seu I-pod.
E se doer? Se eu chorar? E se eu gostar? E se...
E se eu viver, posso tentar ser feliz a cada dia, com cada momento e terei lembranças agradáveis. E se eu chorar vou sentir, vou me conhecer, vou me lavar a alma. E se eu gostar, vou ser eu, vou gostar do que sou.
E se eu não perguntar...


"E cada vez que eu fujo eu me aproximo mais.
E te perder de vista assim é ruim demais
E, é por isso que atravesso o teu futuro.
E faço das lembranças um lugar seguro..."
Quem de nós dois - Ana Carolina





Por Divã-Loira
=)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ânsia


De onde eu devo ter tirado essa mania de gostar tanto de você?Pra quê essa teimosia em revirar meu estômago e me fazer ver tudo colorido?
Eu tenho que admitir: a vida sempre mostra um jeito de queimar minha língua. Porque eu nunca repeti tanto pra mim mesma que chega. Acabou. Não quero mais. E ai você aparece e me deixa boba de novo.Queimo a língua porque você consegue deixar tudo mais colorido.
É que somos iguais: idéias, jeito e, por mais incrível que possa parecer, também temos quase a mesma idade e isso pra mim, que sempre me relacionei com homens mais velhos, é estranho. Uma das estranhezas mais bem vindas.
Porque eu agora, todo dia, acordo feliz da vida.
Vou pro estágio mais feliz ainda: nem me importo se vou ter que pegar ônibus, nesse calor infernal e ainda aturar um bando de gente mal educada.
Vou me alegrar com a sua voz dizendo boa tarde de um modo tão eufórico que eu quase ganho meu dia. Ah, porque você tem que ser tão otimista sempre? Até depois do almoço?Pode?
Pode sim. Aliás, agora você deve.
E eu fico achando lindo quando fica envergonhado ou quando ri das coisas que eu digo. Aliás, adoro ser palhaça só pra você rir, adoro ser esquecida só pra você me lembrar de coisas que, eu já cansei de saber, mas insisto em fingir que esqueci..
É tão bom te ver interessado e sentir aquele frio na barriga de novo.
Por isso não consigo olhar nos seus olhos quando ficamos muito próximos. Fico nervosa, me perco, sinto calor. Fico tentando conter meu sorriso que não consegue se conter.
Maluquice minha? Deve ser, mas eu ainda não sei se acho lindo você me oferecendo pipoca ou quando puxa papo sobre um assunto qualquer.
Não sei explicar, não sei como:mas eu fico extremamente feliz com tudo isso.
“Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão,deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão,
nunca vai ter nada, não” Vinícius de Moraes


Por: Morena

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Pedaços

Há dias em que se pergunta a que veio. Quando algo lhe toca a alma, se aquieta e não pensa mais nisso. Mas na maioria das vezes a resposta é negativa. Sim, ela não sabe a que veio. Mas sabe que queria ter vindo. Não deu conta de ficar mais que 6 meses espremida no ventre de sua mãe.

Sua família tem 8 pessoas. Nunca mudou de escola,
sempre morou na mesma casa. Seu umbigo sempre esteve ali. Aos dezoito anos resolveu enterrá-lo de vez na jabuticabeira de seu quintal.

Não sabe conviver com a morte, apesar de já ter
matado ou ter deixado matar seu amor. Juntando sempre os cacos vai vivendo de desejos conquistados e acabados.

Tem vontade de montar uma sociedade protetora
dos animais e em sua casa ter um cachorro de cada raça. Quanto mais conhece os homens mais gosta dos animais. E esta frase não a assusta.

Há dias vive sem parar pra pensar no que faz nas 24 horas
do dia. Apenas faz. Estuda, trabalha, corre, escreve. Num pulo acorda às 5:30, longe de casa por 12, cumpre rigorosamente suas 8 horas de sono, o que te sustenta.

Buscando seu SEGREDO resolveu cortar a palavra não do
seu vocabulário e mais ainda de seus pensamentos. Não sabe se conseguiu, mas a vida tem ficado mais leve. O que também lhe traz medo, ao contrário do que alguns acham, nunca nada foi muito fácil.
"(...) choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças,
bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem,
pois não as perderei. O rio é dentro de mim."
Adélia Prado
Por Divã-Loira
=)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Um dia nós já fomos...

E naquele tempo éramos tão bons juntos...
que ficamos melhores ainda quando você parou de falar naquela ex e passou a usar a terceira pessoa nós = eu + você.
Éramos tão bons quando eu tinha que ficar na ponta dos pés para alcançar tua boca;
Éramos tão melhores quando de individuais escuridões nos tornamos luminosidade compartilhada;
Bons diante um do outro, de olhos fechados, apenas sentindo a sintonia;
Éramos tão bons que pra mim bastava uma cama desarrumada e, pra você uma barraca no meio do nada;
Éramos bons de mãos dadas, mas passamos a ser melhores de pernas entrelaçadas;
Éramos tão bons em salas vazias, filmes ruins e carinhos susurrados ao pé do ouvido;
Éramos tão bons até quando você se perdia no caminho e eu achava sua forma distraída de ser o seu melhor charme;
Tão bons que eu não entendia seus medos e você não entendia minhas piadas;
Éramos tão bons sem assunto...
Tão bons que não nos deixamos mais do que a lembrança de meia dúzia de encontros...
Éramos tão bons no passado que deixamos de viver o presente e tampouco o futuro...
Éramos tão bons que não nos permitimos ser...
Éramos tão bons... que foi só sonho...
.
"Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada
à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos
atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. "
Caio Fernando Abreu

.
Por Divã-Loira

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sonhos de uma noite de verão, sonhos de valsa, sonhos...


do Lat. somniu
s. m.,
conjunto de ideias e imagens mais ou menos confusas e disparatadas, que se apresentam ao espírito durante o sono;
utopia;
ficção;
fantasia;
visão;
aspiração;
Culin.,
(no pl. ) bolos muito fofos de farinha e ovos, fritos em azeite e passados em calda de açúcar.

Tudo isso me parece muito vago para entendermos o que são os sonhos. Sonhos envelhecem, deixam de ser seus... não que tenham sido roubados e não pertençam mais a você. Sua alma já não mais compactua com eles. Envelheceram, deixaram de combinar com sua vida... e ela não mais sente estímulo para buscá-los. Mesmo que tudo seja ceteris paribus (e tudo o mais permanece constante) seu sonho? há... sofreu mutações, percorre outras mentes, outras idéias e não mais é de sua propriedade!
Dos sonhos podem nascer serpentes ferozes ou obras maravilhosas.
Há aqueles sonhos verdadeiros, pra vida toda... aqueles que habitam as profundezas da sua alma e mesmo que você vivesse mil vidas, sabe que eles estariam lá, no mesmo lugar com gosto de sonho novo! E por ele você viveria mais mil vidas e mil vidas e mais mil vidas...
Rubem Alves já dizia que é nos sonhos que a gente se permite. Mas não adianta querer ensinar os nossos sonhos, algumas muitas vezes eles são pessoais e intransferíveis. Sonho não tem tamanho, não é proibido e não cobra imposto. Acostumados a vagar em noites de insônia ou em dias felizes de sol e céu azul esses pensamentos não pedem licença e tem uma liberdade que só eles entendem, ou não!


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Fernando Pessoa



Por Divã-Loira
=)

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sobre o tempo



Dizem que é o senhor da razão e por mais que eu tenha brigado com ele ultimamente, querendo esticá-lo a qualquer custo, tenho que admitir que é verdade.
É verdade que, quando comecei a cursar Direito, não sabia exatamente o que queria. Dá um desconto,né? Quem disse que com 17 anos eu sabia alguma coisa? Não que eu saiba agora,com vinte anos, mas pelo menos hoje me vejo exatamente do modo como estou.
E aquele dia que me falaram que tudo vem com o tempo e eu achei que era historinha-pra-boi-durmir? Não é que é verdade? Tudo que ano passado eu estava desesperada pra alcançar, esse ano, caiu na minha mão. E várias dessas coisas. As melhores que me poderiam acontecer.
E aquele conselho de mãe vendo a filha sofrer do seu jeito orgulhoso que disse “com o tempo tudo passa” : ainda bem que passou mesmo,manhê.
É que temos a mania de achar que com agente vai ser diferente. Com todo mundo passa, com todo mundo dá certo. Mas não. Eles fingem, sabe? Sorriem mesmo estando morrendo por dentro. Simulam felicidade, tranqüilidade. Eu sou assim. Orgulho ou vontade de não sofrer. Camuflar pra ver se desaparece.
E para os outros sempre está tudo bem: você não está nem ai porque não consegue um trabalho legal na sua área; não se importa com o fim do namoro – afinal, quem terminou foi você. E quem termina nunca sofre (?). E você sorri. E você diz que tá tudo ótimo.Melhor impossível!!!
E não está. E as pessoas acham que você é forte e esperta. E se inspiram em você. Logo em você que está perdida, moída, ferida.
Mas é o tempo novamente....Com ele, você vai acreditando e vivendo. E com mais tempo ainda, acaba acontecendo. Simples.



Por Morena